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Estudar · Poder Executivo

Crime de responsabilidade

Crime de responsabilidade é um ato grave do Presidente contra a Constituição, no exercício do cargo. Apesar do nome, não é julgado como um crime comum: a Câmara autoriza e o Senado julga. É o processo conhecido como impeachment, que pode levar à perda do cargo.

A regra

O que a Constituição diz. Toque no artigo para ler o texto.

O que é

São atos do Presidente que atentam contra a Constituição. A lista cita a existência da União, o livre exercício dos Poderes e do Ministério Público, os direitos políticos, individuais e sociais, a segurança interna, a probidade na administração, a lei orçamentária e o cumprimento das leis e das decisões judiciais.

Quem define

Uma lei especial define esses crimes e as regras do processo e do julgamento. Hoje é a Lei 1.079, de 1950.

A Câmara autoriza

São necessários 2/3 dos deputados: 342 de 513. A Câmara não julga. Ela apenas permite que o processo siga.

O Senado processa e julga

O presidente do STF preside a sessão. Para condenar, são necessários 2/3 dos votos do Senado: 54 de 81.

O afastamento

O Presidente fica suspenso depois que o Senado instaura o processo. Se o julgamento não acabar em 180 dias, ele volta ao cargo e o processo continua.

A condenação

Limita-se à perda do cargo, com inabilitação por oito anos para o exercício de função pública. Outras sanções judiciais continuam possíveis.

Como anda no Congresso

342de 513 deputados
54de 81 senadores
  1. Qualquer cidadão faz a denúncia
  2. O presidente da Câmara decide se aceita
  3. Uma comissão especial dá parecer
  4. A Câmara vota a autorização2/3 dos deputados (342)
  5. O Senado abre o processo e afasta o presidenteMaioria simples dos votos, com pelo menos 41 senadores presentes
  6. Julgamento no Senado, presidido pelo STF
  7. Condenação ou absolvição2/3 dos senadores (54)
  8. O vice assume de vez
Ver cada etapa em detalhe

Pontos que confundem

A autorização da Câmara não obriga o Senado

Para o STF, "processar e julgar" inclui decidir se o processo será aberto. O Senado pode não instaurar, mesmo com a autorização da Câmara. E só depois dessa decisão o Presidente é afastado.

STF, ADPF 378, julgada em 17/12/2015 (abre em nova aba)STF, ADPF 378 ED, julgada em 16/3/2016 (abre em nova aba)

O quórum muda a cada etapa

Câmara: 2/3 dos deputados para autorizar. Senado: maioria simples para instaurar, a partir do parecer de uma comissão especial. Senado de novo: 2/3 para condenar. Todas as votações são abertas.

STF, ADPF 378, julgada em 17/12/2015 (abre em nova aba)

São oito anos, e não cinco

A Lei 1.079 ainda fala em inabilitação de até cinco anos, mas a Constituição fixa oito. Para o STF, a inabilitação não é mero acessório da perda do cargo. Quem é condenado também pode responder por crime comum na Justiça.

Planalto: Lei 1.079/1950, arts. 2º e 3º (abre em nova aba)STF, MS 21689, julgado em 16/12/1993 (abre em nova aba)

Renúncia tem limite

A denúncia só pode ser recebida enquanto a pessoa estiver no cargo. Mas, para o STF, a renúncia apresentada na sessão de julgamento, quando ele já começou, não paralisa o processo.

Planalto: Lei 1.079/1950, art. 15 (abre em nova aba)STF, MS 21689, julgado em 16/12/1993 (abre em nova aba)

Estado não legisla sobre isso

Só a União define os crimes de responsabilidade e as normas de processo e julgamento. É o que diz a Súmula Vinculante 46. Por isso, a Constituição estadual não pode dar à Assembleia Legislativa o julgamento do governador em desacordo com a Lei 1.079.

STF, Súmula Vinculante 46 (abre em nova aba)STF, ADI 4764, julgada em 4/5/2017 (abre em nova aba)

O que o STF fixou no rito

Na ADPF 378, o STF comparou o rito da Lei 1.079 com a Constituição de 1988.

  • Câmara

    Vota uma única vez e só autoriza ou não o processo. O acusado tem dez sessões para se defender.

  • Comissão especial da Câmara

    Os nomes são indicados pelos líderes. Não há candidatura ou chapa avulsa, e a proporção pode ser medida por blocos.

  • Senado

    Antes do julgamento, tem uma etapa de instauração e uma etapa de pronúncia, que decide se o acusado vai a julgamento.

  • Defesa

    Fala depois da acusação, e o interrogatório é o último ato da instrução. Não há direito a defesa prévia antes do ato que inicia o rito na Câmara.

  • Impedimento e suspeição

    As regras do Código de Processo Penal não se aplicam ao presidente da Câmara. Vale o art. 36 da Lei 1.079.

  • Trechos que não valem mais

    Os arts. 23, §§ 1º, 4º e 5º, 80, primeira parte, e 81 da Lei 1.079 não foram recebidos pela Constituição de 1988.

Outras autoridades

O crime de responsabilidade não é só do Presidente. O tribunal muda conforme o cargo.

  • Vice-Presidente

    Senado, depois da autorização da Câmara (arts. 51, I, e 52, I).

  • Ministros de Estado e comandantes das Forças Armadas

    Senado, se o crime for conexo com o do Presidente ou do Vice (art. 52, I). Nos demais casos, STF (art. 102, I, "c").

  • Ministros do STF, membros do CNJ e do CNMP, Procurador-Geral da República e Advogado-Geral da União

    Senado (art. 52, II). Nesses casos, o presidente do STF também preside, e a condenação exige 2/3.

  • Membros dos tribunais superiores e do TCU e chefes de missão diplomática permanente

    STF (art. 102, I, "c").

Termos

Comissão
Grupo menor de parlamentares que analisa projetos de um assunto, como saúde ou educação.
Crime comum
Crime previsto no Código Penal e em outras leis penais, como corrupção ou roubo.
Crime de responsabilidade
Ato grave contra a Constituição, praticado no exercício do cargo e listado na lei.
Impeachment
Processo previsto na Constituição para afastar e julgar o presidente (e outras autoridades) por crime de responsabilidade.
Quórum
Número mínimo de parlamentares presentes ou de votos exigido para uma decisão valer.

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Conferido nas fontes oficiais em 01/11/2026. O site explica a regra; não diz o que é ou não constitucional.